Como sabem o Ministério Público fez recurso à decisão da Juíza Ana Peres no processo E-Toupeira. Num dos episódios mais surpreendentes da justiça portuguesa, um diretor de primeira linha do Benfica, que corrompeu funcionários judiciários para ajudar o Benfica, vai ser levado sozinho a julgamento, enquanto que a SAD do clube não foi pronunciado. Isto não cabe na cabeça de ninguém, excepto, claro, na da Juíza Ana Peres.
José Ribeiro, o primo de José Augusto Silva.
Para quem não sabe, José Ribeiro, primo de José Augusto Silva, foi também constituído arguido no caso E-toupeira. Este era funcionário judicial e já estava aposentado na altura dos factos. Foi também graças a José Ribeiro que encontraram o elo de ligação entre o Benfica e a toupeira principal, José Augusto Silva.
José Ribeiro, foi levado para este engodo graças ao primo José Augusto pois, este, sem a autorização do visado, usou a conta de José Ribeiro para aceder ao Citius. E, depois, introduzia os dados da magistrada Ana Paula Vitorino para aceder aos processos, ou seja, tentava encobrir as falcatruas que fazia para ajudar o Benfica usando a conta de duas pessoas distintas.
José Ribeiro referiu ao testemunhar que nunca tinha sido informado pelos actos do primo e refere que não o primo não lhe contou porque este sabia que José Ribeiro não concordaria com essas ações.
Aqui abaixo fica parte do testemunho de José Augusto.
22:26(José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr., Sr. Dr. Eu, eu sinto-me revoltado Sr. Dr., sinto-me revoltado não é? Porque eu não tenho nada a ver com com isto Sr. Dr. E fui apanhado, fui apanhado nisto Sr. Dr. Eu não tenho nada a ver com isso Sr. Dr. Eu fui apanhado nisto pelo facto de ir ver…
22:44 (Procurador)– Alguma vez deu alguma autorização ao Sr. José Augusto para ele poder utilizar os seus dados?
22:52 (José Manuel Ribeiro) – Nunca dei autorização para nada
22:53 (Procurador) – Ele pode até ter dito qualquer…
22:55(José Manuel Ribeiro) – Nem a ele nem a ninguém
22:55 (Procurador) – Ele até pode ter dito que era por outro motivo qualquer que não tinha nada a ver com isto mas ele alguma vez lhe pediu a sua autorização?
23:02 (José Manuel Ribeiro) – Não Sr. Dr., nunca, nunca, nunca
23:04 (Procurador) – Quer para isto, quer para outro motivo qualquer
23:04 (José Manuel Ribeiro) – Nada, nada. Não nunca pediu nada
23:07 (Procurador) – Alguma vez lhe falou nestes últimos quatro anos de… quase quatro anos desde que se aposentou alguma vez ele lhe voltou a falar disto… Disto em relação aos seus dados para aceder ao sistema
23:19 (José Manuel Ribeiro) – Nada, nada. Nunca mais falou. Sr. Dr. Eu, eu ao aposentar-me não é, os meus dados automaticamente ficavam cancelados até ao dia, até ao dia 7 (sete) quando fui falar com um secretário em Guimarães Sr. Dr.
23:35 (Procurador) – E consegue encontrar alguma justificação para o Sr. José Silva fazer isto?
23:40 (José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr…
23:41 (Procurador) – Portanto, partindo do princípio que isto aconteceu mesmo não é, encontra alguma justificação?
23:45 (José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr. O Zé Augusto, o Zé Augusto era um brilhante funcionário… Fazia as suas coisinhas… Ahm… O seu trabalho… Ele por uma questão de ingenuidade, Sr. Dr. Ele embrulhou-se nisto. Eu já não percebo nada. Nós dizemos isto lá em cima, o menino, olha um menino (?)
24:08 (Procurador) – Mas o menino… Mas repare, a forma como ele acedia…
24:10 (José Manuel Ribeiro) – Aquilo que vinha na comunicação social…
24:12 (Procurador) – …Ele introduzia primeiro os dados do Sr. José Ribeiro no computador e depois a seguir introduzia os dados de uma magistrada para aceder aos processos, ou seja, tinha aqui um duplo grau para disfarçar a… A conduta dele
24:22 (José Manuel Ribeiro)– Pois isso a responsabilidade é de quem, é de quem a pratica. Eu…
24:24 (Procurador) – Sim mas não lhe estou a perguntar… Eu agora estou aqui no campo das hipóteses porque o senhor está a dizer que ele foi um menino
24:30 (José Manuel Ribeiro) – E foiSr. Dr.…
24:31 (Procurador) – Quem faz isto, já está a fazer de uma forma mais articulada não é…
24:34 (José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr. Um menino não no sentido… é ir cego por causa de umas camisolas ou…
24:40 (Procurador) – Porque que ele fez isto?
24:41 (José Manuel Ribeiro) – … Ou por causa de alguns bilhetes… Não sei Sr. Dr., não sei…
24:44 (Procurador) – Consegue encontrar, já o conhecendo há tanto tempo, consegue encontrar alguma justificação?
24:49 (José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr. É um menino. Ele para mim Sr. Dr. É um ingénuo… Uma ingenuidade de todo o tamanho Sr. Dr… Sr. Dr. É isto que eu posso dizer do do meu primo (Pausa). Sa-saben-saben-do… se é que, se entrou através da da pass, não é… isto é, isto é… é uma coisa para ele fazer que não tem pés nem cabeça, mas pronto.
José Manuel Ribeiro não entende como o seu primo foi levado a praticar estes crimes. José Manuel Ribeiro percebe que o que foi feito para ajudar o Benfica é grave. José Manuel Ribeiro diz algo bastante interessante, sobre a cegueira, uma cegueira clubística que faz com que as pessoas praticam crimes. Muitos cartilheiros, como o Rui Pedro Braz, referiram que ninguém se corrompe por bilhetes ou camisolas. De facto, neste caso, nem era preciso ter bilhetes ou camisolas. Só o facto de ter importância no seio do clube do coração, só o facto de ajudar a administração do clube, e ser reconhecido por isso, José Augusto foi corrompido. É a cegueira clubistica que até o primo de José Augusto reconhece.
De referir que José Ribeiro também assistiu a um jogo do Benfica com convites de José Augusto, mas afirmou não saber como o primo obteve os mesmos. Certamente a toupeira não revelou a proveniência dos bilhetes para o ex-funcionário judicial não se aperceber que estava a ser usado para aceder de forma indevida a processos.
O famoso Júlio Loureiro
Júlio Loureiro, ex-observador de árbitros, também foi referenciado no testemunho de José Ribeiro e, segundo ele, terá sido por influência de Júlio Loureiro que o primo se tenha envolvido nas falcatruas do Benfica.
25:17 (Procurador) – Ahm, alguma vez ele ele lhe falou de alguma, que pudesse depois não associar a isto, mas alguma vez ele lhe falou de ter alguma relação especial com o Benfica ou com alguém do Benfica e relação especial não estou a falar enquanto adepto ou sócio…
25:33 (José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr. nunca nunca me falou, nunca me falou.
25:33 (Procurador) – Não é isso que está aqui em causa, é ahm…
25:36 (José Manuel Ribeiro) – Ahm, as amizades dele com o Loureiro, Sr. Dr., poderá, não é, uma pessoa às vezes suspeitar, mas ele nunca falou nada disso. Nunca me falou nada disso Sr. Dr..
25:49 (Procurador) – Vocês…
25:50 (José Manuel Ribeiro) – Talvez talvez, não sei se estava com algum com algum receio que eu o alertasse “Opa, não vás por aí porque… estás a meter o pé na argola”.
25:59 (Procurador) – Mas já, já falou disso pelo menos duas vezes, enquanto enquanto convicção pessoal, pessoal neste caso sua, é que isto então terá vindo do Sr. José… do Sr. Júlio Loureiro, é isso?
26:12 (José Manuel Ribeiro) – É Sr. Dr., pra pra mim o Lou-Lou pa… Sr. Dr…. eu não abstra… eu não abstracto, porque o Loureiro o Loureiro, portanto ahm, sempre gostava de de de de arranjar ahm, não é, e convidar pessoal para ir ver ahm determinados jogos e e e para mim o Loureiro é que, é que o levou para esta esta situação.
26:32 (Procurador) – Mas… coloco a mesma pergunta e isto são perguntas especulativas, ou seja, só…
26:37 (José Manuel Ribeiro) – É isso que eu
26:38 (Ambos) – (Imperceptível)
26:40 (Procurador) – Mas também qual é o interesse do Sr. Júlio inventar isto.
26:42 (José Manuel Ribeiro) – Agora que, que, que eu que eu que eu me apercebesse… Portanto, eu era amigo do Loureiro e conversava com ele como ele era do meu primo Zé Augusto, não é? Portanto quer um quer outro são são são são pess… além de colegas eram amigos, não é?
26:58 (Procurador) – Sim.
26:58 (José Manuel Ribeiro) – O meu primo sempre levou a amizade com uns que que…
27:01 (Procurador) – Pois, mas então, precisamente conhecendo também bem o Sr. Júlio Loureiro, coloco a mesma pergunta que para o Sr. José Augusto, o que é que levaria o Sr. Júlio Loureiro a tentar fazer com que o Sr. José Augusto ahm fizesse isto, este tipo de acessos, este…
27:17 (José Manuel Ribeiro) – Sr. Dr. não sei.
E sabem porque é que Júlio Loureiro influenciou José Silva? Porque este já sujou as mãos muitas vezes pelo Benfica e, certamente, foi sempre bem recompensado. Para quem não se recorda, Júlio Loureiro foi o famoso observador que deu a nota mais baixa da época 2014/2015 a Marco Ferreira, um árbitro internacional português que acabou por descer de categoria nessa época, porque não servia aos interesses do Benfica ou, como quem diz, não favorecia o Benfica. Podem ler mais sobre o nosso amigo Júlio Loureiro aqui.
O depoimento de José Manuel Ribeiro é claro, os crimes praticados pelo primo são graves e estes foram feitos a mando do diretor de primeira linha Paulo Gonçalves, ou seja, a mando do Benfica. Pela sua cegueira clubística, José Augusto cometeu os crimes e informou o Benfica do desenrolar de vários processos que envolvem o clube encarnado. Esperemos que no recurso, a justiça não seja “cega” como foi a Juíza Ana Peres.
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